RESPEITO ÀS DIFERENÇAS!
Ao observarmos a palavra inclusão percebemos que seu significado está intimamente ligado a envolver. O autor Paulo Ramos nos traz reflexões bastante importantes sobre as práticas inclusivas e conceitualiza de forma significativa as “necessidades educacionais especiais”, promovendo em sua retórica um discernimento sobre a inclusão principalmente, de como ela deveria ser observada pelos profissionais e comunidades envolvidas no processo de construção de conhecimento.
A sociedade em que vivemos é seletiva e excludente, onde “normalidade” é sinônimo de dignidade, respeito e capacidade. Apesar de constar na Constituição Federal que todos os cidadãos são iguais e têm os mesmos direitos perante as leis, sabemos que isso é uma utopia para a realidade social em que vivemos.
Dentre os meios de inclusão social, a escola deveria assumir um dos principais papéis quanto ao tema inclusão. No cotidiano escolar os alunos deveriam trocar experiências, brincadeiras e serem tratados da mesma maneira.
A relevância do tema inclusão não se limita apenas à população dos alunos com necessidades especiais físicas e mentais. Os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem, ou mesmo aqueles que possuem um nível intelectual avançado, também precisam de um olhar educacional especial.
Porém, apesar de garantida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996, a filosofia da inclusão escolar não se consolidou na forma desejada, pois na maioria das vezes os professores não estão preparados para suprir as necessidades educacionais dos alunos com necessidades educacionais especiais, o que acaba implicando na relação ensino e aprendizagem, o que muitas vezes torna crítica a relação entre professor e aluno. Sem contar que a maioria das instituições não possui materiais e instalações adequadas para atender alunos com determinadas necessidades.
É preciso antes de qualquer ponto, que o corpo docente, se adapte ao processo de inclusão, entendendo que há necessidade de um novo olhar para os portadores de necessidades educacionais especiais. É importante que sejam revistos os conceitos e preconceitos existentes para que seja possível a elaboração de um trabalho educativo de qualidade.
Por isso, um professor que observa em qual meio esse aluno está inserido poderá realizar um trabalho mais significativo. Qual a sua realidade familiar, como é o seu relacionamento com o grupo de alunos, se recebe algum trabalho pedagógico extra classe, entre outros questionamentos auxiliarão o professor quanto a sua postura pedagógica e a realidade do aluno.
É preciso entender que os alunos com necessidades educacionais especiais necessitam mais do que serem incluídos em escolas consideradas normais. Esses alunos necessitam de atenção e cuidados pedagógicos especiais. Por isso a observação/leitura do professor quanto ao aluno se torna indispensável. A partir da observação, e da leitura do aluno o professor saberá ao certo qual postura pedagógica tomar perante esse aluno. Dessa maneira o professor poderá transformar sua aula em inclusiva, sem constranger o aluno.
Segundo Ramos (2009) a capacidade criadora do professor, somada à sua convicção de que a aprendizagem é possível para todos, com certeza removerá os obstáculos que tantos alunos têm enfrentado. Acompanhando o pensamento de Ramos podemos concluir que o professor deve acreditar com convicção no que está fazendo, dando ênfase ao que está ensinando, sendo criativo quanto a maneira na qual aplicará o seu conteúdo. Dessa maneira ele estará rompendo barreiras que na maioria das vezes implicam no aprendizado.
Por isso, o planejamento torna-se indispensável. É na fase do planejamento que o professor verificará quais caminhos deverá seguir para estimular o que deseja alcançar com seu aluno. Através do planejamento o professor poderá ter uma postura pedagógica inovadora, tornando suas aulas participativas e inclusivas. Desta maneira poderá proporcionar ao aluno autonomia e habilidades necessárias para ser um cidadão apto a viver em sociedade, independentemente do seu grau de dificuldade.
Segundo Ramos (2009) a escola precisa buscar o aperfeiçoamento contínuo, para poder cada vez mais oportunizar o acesso e a permanência (isto é inclusão) a todos os alunos, independente de suas capacidades. Porém sabe-se que as mudanças são gradativas, e depende de um repensar coletivo de todos os envolvidos na educação.
Para que a educação inclusiva seja de qualidade e aconteça de forma democrática muito terá que ser feito. Alguns questionamentos resumem as condições estruturais e organizacionais em que as instituições de ensino se encontram. É possível atentarmos para uma educação inclusiva sabendo que não temos apoio dos órgãos que acabam delegando à escola funções e responsabilidades que não lhes cabem? Quer o professor realmente promover uma educação inclusiva, ou somente a formação necessária? Será que a escola cumpre todas as necessidades e realmente é inclusiva já que devemos respeitar os educandos pela sua faixa etária, religião, etnia, cultura entre outros?
Sendo assim, muita coisa ainda precisa ser revista e repensada para que se possa realmente dizer que somos cidadãos que lutamos pela inclusão e almejamos sucesso em nossa educação. As escritas e os papéis registram muita coisa, mas as ações ainda deixam a desejar.
Incluir não é simplesmente aceitar as diferenças, mas sim é fazer com que as diferenças se sintam incluídas. Isso vai muito além das leis, vai ao encontro do comprometimento, conhecimento, da reflexão, da humildade e da sabedoria, de cada um: pois não basta falar, precisamos lutar sim por mais justiça e igualdade nesta sociedade que se mostra tão dividida.
REFERÊNCIA:
RAMOS, Paulo. Educação Inclusiva: Histórias que (des)encantam a Educação. 2. ed. Blumenau: Odorizzi, 2009.


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