O texto é de Rozélia Chaves Ribeiro, pedagoga e foi publicado na revista Diocese Informa de Joinville, nº 5, ano I, Julho 2011, p. 26:
Ter um relacionamento familiar saudável é o objetivo de uma família crstã. Mas deve se ter em mente que para isso acontecer, um ambiente de testemunho cristão é o primeiro passo. Precisamos ver a família de forma ampla, como um sistema vivo onde os componentes reagem e influenciam-se uns aos outros de forma recíproca e amigável. Entretanto, não basta apenas ler um receituário de dicas prontas sobre relacionamento famíliar e deixar o resto nas mãos de Deus.
Construir um relacionamento familiar saudável requer auto-observação, disposição para autocrítica e mudanças. Vai além da mera aquisição de informação sobre o próprio funcionamento. Há vínvulos afetivos e psicológicos envolvidos numa relação familiar, e ao mesmo tempo, espaços de privacidade, autonomia e individualidade, que devem ser respeitados. Se os componentes familiares estiverem tão ligados uns aos outros, os sonhos dos pais podem ser impostos aos filhos. Ou então o abuso de poder ser tão sufocante que o adolescente reage à falta de espaço para desenvolver a própria autonomia.
De forma diferente, a liberdade excessiva e a falta de limites na educação dos filhos pode ser sinal de diferenciação e distância extremas entre os componentes familiares, onde o afeto não é demonstrado e a frieza emocional se torna constante. Os pais devem ser justos, firmes e coerentes na fixação de regras. A ausência de poder parental e de normas, o poder discordante entre o pai e mãe, a negligência nas tomadas de decisão e a liberdade excessiva são fatores danosos para o relacionamento familiar, que esperamos que seja saudável e bíblico.
Os pais devem ganhar tempo conversando entre si sobre o funcionamento da família, assim como se planeja reuniões de trabalho. Eles devem encarar os problemas de relacionamento de forma ampla e pensar juntos em um plano de educação para os filhos antes mesmo de tê-los. Quando os pais discordam muito na forma de instruir, nós educadores, identificamos a negligência no primeiro contato que temos com eles. Por isso finalizo meu artigo dizendo: educar é planejar, e não terceirizar educação.

